[...]o vento assobia , atirando pedacinhos de gelo que espetam os meus olhos. Vou caminhando, os pés afundando em camadas daquela brancura fofa. Grito por socorro, mas os ventos não deixam que os meus gritos sejam ouvidos. Vejo que a nevea está apagando minhas pegadas. " agora sou um fantasma" penso eu "um fantasma sem pegadas". Volto a gritar, com a esperança sumindo com as marcas dos meus passos. Desta vez, porém, há uma resposta longínqua. Além das cortinas flutuantes de neve, tenho a breve visão de algo se mechendo, um borrão de cor. Uma forma familiar se materializa. Uma mão se estende na minha direção. Vejo profundos talhos paralelos cortando a sua palma e o sangue escorrendo, tingindo a neve. Seguro aquela mão e de repente, a neve desaparece. Estamos em um campo de relva verde-clara e macios flocos de nuvens deslizam no céu. Olho para cima e vejo o céu claro coalhado de pipas verdes, amarelas, vermelhas, laranja. Elas cintilam à luz do entardecer.
KHALED HOSSEINI

