A vida é pequena, mas tão grande nestes espaços que aos cuidados pertencem. Cada palavra na sua mais sensata simplicidade nos direciona a sonhos imutáveis. Os sorrisos sem justificativas não acontecem por falta do que fazer ou por insana loucura, eles desencadeiam pela necessidade de transbordar a felicidade que aperta dentro de quem valoriza tudo o que é pequeno e simples.
O simples cumpre no tempo a proeza de ser um sentido oculto e deslumbrante para os distraídos que o percebem ou não. A felicidade se escode aí, no simples, naquilo que aproxima os olhares dispersos à Deus.
E Deus mora perto, numa casinha rosada à frente de dentes e por detrás da tristeza, que se abre na esperança de comunicar, muitas vezes sem motivos. Fica ali escondido, vez em quando aparece na janela escancara as portas e distribui alegria, ou quem sabe loucura.
Quando tornamos o simples complexo demais, viver perde o sentido, deixamos de amar e brincar por falta de tempo. Carregamos sobre nós o peso das angústias e dos medos.
Peso este que descarreguei a muito tempo. Hoje viajo leve, muito leve. E como fiz quando ciriança, enchi uma sacola com uma peça de roupa outra de amor e um pedaço de cada um que já amei. E assim fui me distanciando na esperança que a saudade me fizesse amar ainda mais, e funcionou. A distância nos permite mensurar os espaços deixados. O que não consegui carregar na sacola guardei na lembraça pra nunca mais esquecer.
Eu espero mesmo nunca esquecer das conversas desnecessárias, sorrisos sem motivos. Porque tudo o que vive ao seu lado foi especial, puro e verdadeiro.
Dedicado a quem faz da vida brincadeira, pensa como eu, me acompanha nos sorrisos, dialoga com os olhos e sorri com o bigode.
